Banner 180x60
Bom dia.
Domingo, 18 de Fevereiro de 2018.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
Com Faust e Volmer, a Osesp chega à excelência (16/5/2017)
Por Irineu Franco Perpetuo

Se os gestores e políticos do Brasil em geral, e de São Paulo em particular, abriram guerra de extermínio contra a música de concerto, não é por causa do nível artístico de nossos musicistas. Bastou comparecer a uma apresentação como a de Isabelle Faust com a Osesp, regida por Arvo Volmer, para constatar que o fazer musical por aqui pode atingir níveis elevadíssimos de excelência e qualidade.

É um privilégio desfrutar de uma instituição como a Osesp, que pode trazer ao Brasil, como artista em residência, uma estrela da magnitude da violinista alemã Isabelle Faust. Se ela “só” tivesse vindo para cá tocar o concerto de Brahms, como fez na semana passada, já seria um luxo. Porém, ainda teve, nesta semana, a integral das sonatas de Beethoven, ao lado do pianista Alexander Melnikov; e, em setembro, ela volta para interpretar o Concerto nº 1, de Szymanowski, sob regência de Penderecki, além de dar recital solo com a integral das sonatas de partitas de Bach.

Em 2014, Faust já havia conquistado a Sala São Paulo com sua leitura refinadíssima do Concerto de Beethoven, e esteve longe de decepcionar em sua volta à cidade. Escolher a cadência escrita por Busoni foi apenas uma das múltiplas surpresas com que ela nos brindou, e desconfio que o próprio Brahms teria ficado encantado com o viés classicizante de sua leitura da obra. Faust imprime, sim, vigor nas passagens de maior bravura da obra, mas sua leitura traz uma transparência e clareza na articulação que parece remeter diretamente à gloriosa tradição de Bach, Mozart e Beethoven da qual o autor de Um réquiem alemão era tributário. Sua sonoridade límpida e precisão cirúrgica estão a serviço não apenas de uma compreensão profunda da partitura, como de um bom gosto aparentemente infalível: na ourivesaria de cada frase, Faust parece tomar sempre as decisões corretas, o tempo todo. Uma clarividência que se estendeu ao bis: uma transcrição para violino e orquestra do entorpecedor Träume, dos Wesendonck-Lieder, de Wagner.


Ensaio da Osesp com Isabelle Faust e Arvo Volmer [Divulgação]

Dado, porém, o nível da apresentação do último sábado, dia 13, seria injusto louvar a Osesp apenas como instituição que convidou Faust a São Paulo. Já não é de hoje que alguns regentes convidados vêm nos revelando uma orquestra que mesmo os frequentadores mais assíduos da Sala São Paulo não suspeitam existir. Alguém ainda precisa estudar as afinidades entre as águas do Tietê e as do Báltico, pois muitos deles são provenientes justamente dos países que ficam na orla deste mar.

Como Arvo Volmer, da Estônia. Caso raro de regente que não é atacado, mas sim elogiado pelas costas pelos músicos com que trabalha, Volmer está se tornando “figurinha carimbada” na Osesp, e não por acaso.

O repertório que ele trouxe à primeira parte da apresentação esteve longe de ser óbvio, ou fácil para o público. Começou com a estimulante exploração de sonoridades de Les Poids des Vies non Vécues (O peso de vidas não vividas), de seu compatriota Erkki-Sven Tüur, 57, que Volmer estreou em Bruxelas, em 2015 – um memorial à I Guerra Mundial, música contemporânea recentíssima, que vale bastante a pena conhecer. E prosseguiu com aquela que talvez seja a obra orquestral mais elusiva de Sibelius – a Sinfonia nº 4.

Com um gestual elegante e preciso, Volmer parece transmitir segurança aos integrantes da Osesp, estimulando-os e permitindo-lhes render mesmo em um repertório pouco familiar. Vale destacar aqui não apenas os solos, mas sobretudo a coesão e solidez dos naipes. Minha memória pessoal tem que fazer muito esforço para se lembrar de uma outra ocasião em que as cordas da orquestra tenham soado de forma tão robusta, e com tamanha personalidade.

Em dias sombrios, em que meramente ir a um concerto é um subversivo ato de resistência, Volmer nos ajuda a lembrar de que a Osesp é o paradigma de excelência sinfônica do Brasil.





Irineu Franco Perpetuo - é jornalista, colaborador do jornal Folha de S. Paulo e correspondente no Brasil da revista Ópera Actual (Barcelona).

Mais Textos

Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 1 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 2 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Relativizações, realidades e transformações: um olhar sobre “A flauta mágica” do Theatro Municipal Por João Luiz Sampaio (23/12/2017)
A produção é boa, mas faltou mágica na “Flauta” do Municipal Por Nelson Rubens Kunze (23/12/2017)
O prazer de ouvir Neymar Dias – muito bachiano e muito brasileiro Por Irineu Franco Perpetuo (20/12/2017)
Uma temporada inclusiva, feita com inteligência Por João Marcos Coelho (19/12/2017)
Uma grande e despretensiosa sátira Por João Luiz Sampaio (8/12/2017)
A goleada da Argentina (e nem precisaram do Messi) Por Nelson Rubens Kunze (8/12/2017)
Museu virtual reúne milhares de instrumentos de coleções britânicas Por Camila Frésca (4/12/2017)
Karnal, a Osesp e o governador Por Nelson Rubens Kunze (24/11/2017)
Quem não trafega nas redes sociais se trumbica Por João Marcos Coelho (24/11/2017)
Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
Três óperas Por Jorge Coli (7/11/2017)
Convocação de OSs para Emesp, Guri e Conservatório de Tatuí reforça torniquete financeiro do governo Por Nelson Rubens Kunze (3/11/2017)
Para onde nos levará a onda de censura no país? Por João Marcos Coelho (31/10/2017)
Os quartetos de cordas e a reavaliação da obra de Villa-Lobos Por Camila Frésca (30/10/2017)
O Brahms profundo e espontâneo de Nelson Freire Por Irineu Franco Perpetuo (25/10/2017)
Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” Por Camila Frésca (28/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático Por Jorge Coli (4/9/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Fevereiro 2018 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
28 29 30 31 1 2 3
4 5 6 7 8 9 10
11 12 13 14 15 16 17
18 19 20 21 22 23 24
25 26 27 28 1 2 3
 

 
São Paulo:

22/2/2018 - Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo

Rio de Janeiro:
20/2/2018 - Adriana Ballesté - violão

Outras Cidades:
23/2/2018 - Belo Horizonte, MG - Orquestra Filarmônica de Minas Gerais
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2018 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046