Viva a diversidade do violão brasileiro!

por João Marcos Coelho 10/09/2015

2015 parece ser, definitivamente, um ano iluminado para o violão e os violonistas por aqui. Multiplicam-se os excelentes lançamentos, a maioria impulsionados pelo ProAC, mecanismo estadual de incentivo a projetos que cabem sob medida na produção de um CD.


O leque é amplo. Além das gravações individuais, dois entre os mais consagrados grupos brasileiros acabam de lançar CDs.


Um deles, o Trio Opus 12, revive depois de fazer história na vida musical paulistana, na década de 1970: sua gravação de estreia representou um marco importante na música brasileira, pois foi o primeiro LP clássico independente no Brasil. Criado em 1977, era formado por três violonistas: Oscar Ferreira de Souza, Clemer Andreotti e Paulo Porto Alegre. Hoje, Paulo Porto Alegre, 62 anos, formidável como violonista e também como compositor, promove o renascimento do Trio Opus 12 – agora ao lado de dois ex-alunos muito talentosos, Daniel Murray e Chrystian Dozza – lançando Divertimentos. O CD vale a pena sobretudo pelas composições de Porto Alegre.



Daniel Murray, Paulo Porto Alegre e Chrystian Dozza, o Trio Opus 12 [foto: Christian Maldonado/divulgação]


O outro é o quarteto de violões Quaternaglia, que acaba de lançar o CD Xangô. O título do CD remete a uma obra de Almeida Prado, um dos mais importantes compositores brasileiros contemporâneos, que infelizmente nos deixou em 2010. Ele trabalhou a execução da obra anos atrás com Sidney Molina, Chrystian Dozza, Fábio Ramazzini e Thiago Abdalla – e dedicou-a ao Quaternaglia. É uma gravação de qualidade que abre um diversificado leque estilístico, onde cabem criações de Villa-Lobos, Ronaldo Miranda, Sérgio Molina, João Luiz e de um dos integrantes do quarteto, Christian Dozza, que trabalha sobre um belo tema de Egberto Gismonti.


Mas além desses grupos, tem muito mais. O Duo Assad num eclético retrato da criação musical brasileira sem adjetivos; o violonista peruano Jorge Caballero, que em Quadros, realiza um tour de force fantástico, interpretando a famosa transcrição de Kazuhito Yamashita para os Quadros de uma exposição, de Mussorgsky.


O mais recente desta lista é Daniel Murray, que em vez de um acaba de lançar dois CDs: um para públicos mais amplos, intitulado Autoral, só com ótimas e mais tradicionais composições para violão solo (com apenas duas exceções mais experimentais); outro decididamente experimental mas igualmente excelente, intitulado Universos em expansão....


Vale a pena fazer um passeio – um não, vários, muitos – pelo mundo do violão brasileiro contemporâneo. Não há, em outras latitudes, tamanha diversidade.


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