Na sexta-feira, 29, a Orquestra Sinfônica Municipal e o Coro Lírico Municipal apresentam a ópera Intolleranza 1960, de Luigi Nono, pela primeira vez no Brasil, no Theatro Municipal. Roberto Minczuk é o diretor musical, Nuno Ramos e Eduardo Climachauska são os diretores cênicos e Hernán Sánchez Arteaga é o regente do coro. As apresentações ocorrem nos dias 30 e 31 de maio e nos dias 2, 3, 5 e 6 de junho.
A obra de Luigi Nono é marcada pelo engajamento político. Nascido em 1924, na Itália, o compositor italiano estudou no Conservatório de Veneza e durante a década de 50, frequentou os Cursos de Férias da Música Nova de Darmstadt, na Alemanha. Lá, entrou em contato com a música contemporânea e com nomes como Boulez e Stockhausen. Em 1952, filiou-se ao Partido Comunista Italiano e passou a produzir obras com claro tom político.
Intolleranza 1960 é uma denúncia à opressão política e racial. Batizada pelo compositor de "ação cênica", a ópera narra as desventuras vividas por um homem inocente que tenta retornar à terra natal. No caminho, o protagonista é preso, torturado e enviado para um campo de concentração. Quando finalmente é libertado, retorna à sua casa e se depara com uma grande enchente que acometeu a cidade. A peça foi estreada em 1961, no tradicional Teatro La Fenice, de Veneza.
A obra é inspirada em textos sobre as lutas operárias na Itália, a revolta dos argelinos contra a França e as revoltas antifascistas e antinazistas. O libreto também utiliza textos de Sartre, de Bertolt Brecht e de outros autores. “Cada cena diferencia-se pela técnica composicional. Nono retrata, não só nas palavras, mas na construção musical de cada cena, o trágico caminho de um operário na luta pela emancipação”, comenta o pensador Philippe Albèra, em citação reproduzida por João Marcos Coelho em sua coluna na edição de maio da Revista CONCERTO (clique aqui; acesso exclusivo para assinantes).
O elenco apresenta os tenores Peter Tantsits e Giovanni Tristacci como Um Imigrante. As sopranos Maria Carla Pino Cury e Gabriela Geluda interpretam Sua Companheira, enquanto Caroline De Comi, Laryssa Alvarazi e Marly Montoni encenam Uma Mulher. O barítono Isaque Oliveira é Um Argelino e o baixo Anderson Barbosa, Um Torturado.
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