Guilherme Mannis deixa a direção artística da Orquestra Sinfônica de Sergipe

por Redação CONCERTO 06/02/2026

Maestro passa a atuar como professor de regência da Universidade Federal do Rio Grande do Sul; em carta, ele celebra o trabalho realizado e aponta os desafios que o grupo ainda precisa enfrentar, defendendo a publicização por meio de uma OS

O Governo do Estado de Sergipe anunciou nesta sexta-feira, 6, o desligamento do maestro Guilherme Mannis da direção artística e regência titular da Orquestra Sinfônica de Sergipe. A decisão foi tomada a pedido do próprio maestro, que vai assumir o posto de professor de regência da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.

Mannis comandou a orquestra durante 19 anos e seis meses “e teve papel decisivo na consolidação da orquestra como uma das principais instituições culturais do Estado, fortalecendo sua identidade artística, estrutura institucional e contribuindo para a formação de músicos que hoje atuam no Brasil e no exterior”, diz a nota da Fundação de Cultura e Arte Aperipê. Sobre a escolha de um novo diretor artístico, o governo informou que “será conduzida de forma dialogada e institucional, envolvendo o governador do Estado, a Funcap e as comissões representativas dos músicos da Orsse”, com o objetivo de “assegurar a continuidade do trabalho desenvolvido e o fortalecimento da orquestra”.

Em uma carta, Mannis falou de seu período à frente da orquestra.

“Muitas foram as alegrias e conquistas obtidas ao longo desta belíssima trajetória que construímos juntos. Foram 19 temporadas concebidas e executadas, não sem dificuldades e desafios diários, os quais foram sendo superados em grupo, com a dedicação e paciência de todos. Diversos foram os profissionais que passaram por nossa instituição, muitos dos quais estão em prestigiosas orquestras no Brasil e no mundo; outros tantos permanecem, e aqui constroem, no dia-a-dia, a música clássica em Sergipe.

Em relação ao público do Estado, conseguimos construir uma plateia vigorosa e entusiasmada, pronta a caminhar artisticamente com a Orsse, emocionando-se com as excepcionais apresentações, muitas das quais realizadas com grandes solistas nacionais e internacionais. Elaboramos um conceito local de orquestra, que, para além da apresentação de grandes obras do repertório, dialogou com a comunidade e a cena cultural sergipana, consistindo em ponto de encontro artístico de uma sociedade ávida por grandes realizações culturais.

A Orsse cresceu e profissionalizou-se ainda mais; tem hoje enorme respeito local e nacional. Provou ao país sua competência em turnês nacionais de enorme sucesso, recebendo também em Aracaju excepcionais solistas e maestros convidados. A despeito do apoio inconstante, as temporadas foram sempre entregues com esmero e grande competência, com sucesso de público e excelentes realizações. Sendo uma orquestra de todo o Estado de Sergipe, o grupo não se furtou às dificuldades logísticas e cumpriu a difícil missão de interiorizar sua produção, com muito sucesso e carinho por onde passou”, escreveu o maestro.

Na carta, ele agradece aos ”gestores que confiaram em meu trabalho durante estes anos, em especial a três deles: José Carlos Teixeira (in memoriam), que acreditou em um jovem maestro, cheio de energia e de sonhos, para transformar sua orquestra local; Marcelo Déda (in memoriam), que em janeiro de 2007 confirmou este jovem em seu cargo e deu a ele o respaldo necessário para o estabelecimento de parâmetros de seriedade artística, possibilitando o estabelecimento de Temporadas Artísticas e realizações extra Sergipe; e Fábio Mitidieri, que no início de 2024 restabeleceu competitividade salarial ao grupo e, em 2025, reinstalou as Temporadas artísticas com subvenção estatal”.

Mannis também abordou os desafios que se colocam ainda para a Sinfônica de Sergipe.

“Muito foi feito, mas muito falta: a Orsse carece de mais profissionais em seu quadro, para a performance adequada de peças sinfônicas e para incrementos de gestão. Os salários precisam ser ainda mais valorizados, equiparando-se à média das sinfônicas nacionais de produção artística semelhante. A orquestra precisa de maior infraestrutura e de uma sede: uma sala de Concertos concisa, acusticamente adequada para a realização de seus ensaios e apresentações. O Coro precisa de um pianista e de monitores profissionais, além de subvencionamento em suas atividades.

A estrutura administrativa da Orsse precisa ser revolucionada por meio da publicização, buscando-se uma Organização Social em contrato de gestão com o Governo do Estado para a manutenção do grupo. É esta, a meu ver, a única saída para que a Orsse tenha autonomia artística e possa crescer, trabalhando não só na performance, mas também na transformação completa de nossa sociedade por meio da formação de novos e jovens músicos por todo o Estado.

Por sua vez, considero função primordial do Governo do Estado de Sergipe manter a sua Orquestra Sinfônica profissional funcionando em plenitude para a população, como braço vital de sua Política Cultural. Após 19 anos de experiência na confecção de projetos para a Orsse, asseguro que os investimentos relacionados a estes ganhos incomensuráveis à cultura de Sergipe acima citados são muito modestos se comparados aos gastos correntes do Estado nas mais variadas áreas.”


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O maestro Guilherme Mannis [Divulgação/Júlia Rodrigues]
O maestro Guilherme Mannis [Divulgação/Júlia Rodrigues]

 

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