A Orquestra Sinfônica do Estado do Espírito Santo apresenta nos dias 21 e 22, em concertos no Teatro Universitário da UFES, em Vitória, a Sinfonia nº 6 – Trágica, de Mahler. A regência será do maestro Helder Trefzger.
“As cinco primeiras sinfonias de Mahler tratam do embate entre um herói – o próprio compositor? – e as forças do mundo. Em cada uma delas, o texto, ou a inspiração, provenientes de fontes que vão desde canções folclóricas até reflexões de Friedrich Nietzsche, sugerem um desejo de renascimento, mesmo que com a morte como possibilidade única de libertação”, escreve João Luiz Sampaio em texto publicado na edição de março de 2018 da Revista CONCERTO [leia aqui; acesso exclusivo para assinantes].
A Sexta sinfonia, no entanto, escrita entre 1903 e 1904, parece voltar-se a outro escopo de ideias. Como afirma Bruno Walter, um dos maiores regentes da primeira metade do século XX, ainda que Mahler nunca se distancie de si mesmo, “a Sexta e a Sétima sinfonias são experimentos, de certa forma, puramente musicais”. Elas não têm textos que permitam delimitar seus sentidos e significados, que estão acima de tudo na forma.
“No caso da Sexta, isso não impediu que se desse a ela certo caráter premonitório. Em seu último movimento, três batidas de martelo, com a ajuda de declarações de Alma Mahler, costumam ser entendidas como a evocação de um embate contra o destino – que o compositor perderia, uma vez que nos anos seguintes receberia três notícias trágicas: a morte da filha, a descoberta de uma doença no coração e a demissão da Ópera de Viena. Se Mahler anteviu as desgraças que o abateriam, essa é, naturalmente, uma questão difícil. Mas Walter chama atenção para o fato de que a música, ao contrário do que acontecera em suas obras anteriores, não parece sugerir possibilidade de resolução. A obra nos diz não, escreve ele. A existência é um peso – restam apenas desespero e a noite da alma”, completa Sampaio.
Veja mais detalhes no Roteiro do Site CONCERTO
Leia também
Crítica Festival Amazonas de Ópera estreia ótimo ‘Salvador Rosa’, de Carlos Gomes, por Nelson Rubens Kunze
Opinião Dame Felicity Lott (1947-2026), por João Luiz Sampaio
Acervo CONCERTO ‘Um réquiem alemão’, de Brahms
Notícias Palácio das Artes de Belo Horizonte estreia montagem de ‘As bodas de Fígaro’
Política Cultural Instituto Baccarelli vai gerir o Theatro Municipal de São Paulo. O que acontece agora?
É preciso estar logado para comentar. Clique aqui para fazer seu login gratuito.

Comentários
Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião da Revista CONCERTO.