Produção de 'A escada de seda', de Rossini, pela Academia do Theatro São Pedro, aposta no cuidado com o gestual e a movimentação cênica
A Academia do Theatro São Pedro e a Orquestra Jovem do Theatro São Pedro apresentaram ao longo do último fim de semana uma produção de A escada de seda, ópera do início da carreira de Gioacchino Rossini. Uma montagem divertida, com bom elenco e concepções cênica e musical (assinadas por João Malatian e Gabriel Rhein-Schirato) muito bem-acabadas.
Rossini tinha 20 anos quando compôs a ópera, que definiu como “farsa”. Giulia se casa escondida com Dorvil – e trama para que Blansac, a quem foi prometida pelo seu tutor Dormont, a deixe em paz e se case com sua prima Lucilla. Na récita de sábado, Elouise Miranda foi Giulia; Camila Ceuta, Lucilla; Pedro Ohoe, Dorvil; Sérgio Cardonha, Dormont; Daniel Luiz, Blansac; e Robert Willian, Germano, o divertido criado de Giulia.
Vocalmente seguros, os cantores estiveram muito bem também em cena, em um elenco no qual se destacaram em especial Elouise, Lucilla, William e Daniel. A movimentação que Malatian parece ter trabalhado com eles teve como foco o tempo preciso de comédia e gestuais e expressões que disseram muito mais do que exageros cômicos ou histrionismos poderiam gritar.
Nisso, tiveram, do fosso, o apoio da regência segura e teatral de Rhein-Schirato, à frente de uma orquestra que, mesmo formada em boa parte por músicos que nunca haviam atuado em ópera, soube incorporar a linguagem e o estilo rossinianos. Um feito e tanto.

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