Compositora Gabriela Lena Frank vence Prêmio Pulitzer de música

por Redação CONCERTO 07/05/2026

Americana de ascendência peruana foi escolhida pela obra Picaflor, estreada em 2025; atualmente, Metropolitan Opera de Nova York encena sua ópera O último sonho de Frida e Diego

A compositora americana Gabriela Lena Frank venceu o Prêmio Pulitzer de música pela obra Picaflor. Estreada em 2025 pela Orquestra da Filadélfia, a peça foi definida pelo júri como “uma obra sinfônica moderna, inspirada nas experiências pessoais da autora com os incêndios florestais na Califórnia e nas lendas andinas, em dez movimentos impactantes que acompanham um beija-flor em suas tentativas de escapar de cataclismos, oferecendo um olhar sobre um futuro frágil”.

Nascida em Berkeley, Califórnia, em 1972, filha de mãe com ascendência indígena peruana/chinesa e pai com ascendência lituana/judaica, a compositora explora sua herança multicultural através de suas composições. Sua música frequentemente reflete sua experiência pessoal como latina multirracial e filha da diáspora, mas também seus estudos sobre as culturas latino-americanas, incorporando poesia, mitologia e estilos musicais nativos em uma estrutura clássica ocidental.

“Crescendo nos EUA nas décadas de 70 e 80 – e muitas vezes sendo a única latina nas minhas turmas no ensino médio ou na faculdade, especialmente no conservatório de música –, eu não conhecia muitos latinos. Eu tendia a ansiar por uma identidade e por um lugar que fosse meu. Isso é muito comum entre imigrantes e filhos de imigrantes, pessoas no que chamamos de diáspora”, ela contou em uma entrevista.

Nesse sentido, sua primeira viagem para o Peru foi decisiva. “Continuei voltando. Eu não conseguia evitar. Provar uma comida, ouvir uma música, ir a um museu e ver um vaso antigo ou uma escultura de uma cultura pré-inca e me identificar com aquilo, e perceber: ‘Meu Deus, é daqui que eu venho. Eu posso reivindicar isso. É isso que eu sou’? Sentir esse tipo de pertencimento foi muito importante para mim como artista.”

Atualmente, o Metropolitan Opera House de Nova York prepara uma produção de sua ópera O último sonho de Frida e Diego. A obra foi concebida como uma inversão do mito de Orfeu e Eurídice: a história retrata Frida Kahlo deixando o submundo no Dia dos Mortos e se reunindo com Diego Rivera. O casal revive brevemente seu amor turbulento, abraçando tanto a paixão quanto a dor antes de se despedir definitivamente do mundo dos vivos.


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A compositora Gabriela Lena Frank [Divulgação/Mariah Tauger]
A compositora Gabriela Lena Frank [Divulgação/Mariah Tauger]

 

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