Quarteto da Guanabara celebra 50 anos com concerto

por Luciana Medeiros 21/06/2019

Se no Brasil, e particularmente no Rio de Janeiro, houvesse um panteão de grandes colaboradores da cultura, certamente o Quarteto da Guanabara estaria na seção de música de câmara. Fundado há 50 anos por músicos de primeiríssima linha – o pianista Arnaldo Estrela, a violinista Mariuccia Iacovino, o violoncelista Iberê Gomes Grosso e o violista Frederiçk Stephany –, volta à cena carioca nessa sexta, dia 21, com formação de cordas. A iniciativa é do violoncelista Marcio Malard, um dos integrantes históricos nas primeiras formações (entrou no lugar de Gomes Grosso em 1983) e do violinista e regente Daniel Guedes. Completam a formação atual Ramon Feitosa (violino) e Daniel Albuquerque (viola).

“Recomeçamos a trajetória do Quarteto da Guanabara em 2009”, conta Guedes. ”Desde então mantemos ensaios constantes e nos apresentamos sempre que é possível. Em 2019, a celebração dos 50 anos tem movimentado a agenda e temos projetos de gravar um CD, que o quarteto nunca teve – aliás, nem LP, apenas registros esparsos.”

A história do quarteto começa antes dele se tornar “da Guanabara”. Era o Quarteto do Rio de Janeiro, liderado pela violinista Mariuccia Iacovino, que fez sua estreia em abril de 1957 com apoio do Ministério da Educação e Cultura, com Henrique Morelenbaum (2º violino), Lionello Forzanti (viola) e Renzo Brancaleon (violoncelo). Em 1966, o grupo – com Alberto Jaffé, Georges Kiszely e Peter Dauelsberg – ganhou o concurso internacional de quartetos de cordas promovido pelo Museu Villa-Lobos. Logo depois, em 1969, tornou-se um grupo de câmara vinculado ao estado e Arnaldo Estrela passou a integrar o quarteto, rebatizado “da Guanabara”. É esse o marco dos 50 anos que se celebra agora.

“Foram várias formações, com e sem piano”, lembra o violoncelista Marcio Malard. “Eu era aluno de Iberê, que sofreu um acidente em janeiro de 1983 e faleceu no mês seguinte. Antes de entrar em coma, pediu que eu o substituísse, e assim foi.”

O grupo teve forte atuação e aos poucos foi deixando de se apresentar, até que Daniel Guedes decidiu trazer de volta o nome tradicional. No concerto desta sexta, eles tocam o Quarteto n° 1 de Villa-Lobos, composto em 1915; o Quarteto Imperador, de Haydn, escrito em 1798; e, na segunda parte, A morte e a donzela, o Quarteto n° 14 de Schubert, de 1824.

“O movimento lento do quarteto Imperador, é bom lembrar, foi mais tarde utilizado em Das Lied der Deutschen, que até hoje é o Hino Nacional da Alemanha”, encerra Malard.

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Quarteto Guanabara [Divulgação / Daniel Ebendinger]
Quarteto Guanabara [Divulgação / Daniel Ebendinger]