Claudia Toni: brilho e vigor em meio ao obscurantismo

por Redação CONCERTO 05/01/2026

Retrospectiva 2025: Claudia Toni, especialista em políticas públicas para a cultura e assessora da presidência da Fapesp - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de S. Paulo

Compromisso e inovação pautaram iniciativas excelentes em 2025, a começar pelo Centro de Ciência para o Desenvolvimento, criado pela Prof. Graziela Bortz (Unesp), cujo tema é “Saúde mental de adolescentes e jovens estudantes de música: um estudo misto no Guri e Escola de Música do Estado de São Paulo Tom Jobim”. Ele congrega 13 instituições brasileiras e estrangeiras e é o primeiro CCD de Artes. 

Assistir ao Martelo Percussão é prova de que o Brasil pode fazer música com brilho e vigor. O mesmo dá para dizer do novo duo Cristian Budu – Edmundo Carneiro, promessa de boas jornadas musicais. A programação vivaz e sem fronteiras da Ocam e o primeiro concerto de um conjunto de câmara brasileiro no Wigmore Hall – o Ilumina, com retorno marcado para 2026 – dão prova que ótimos artistas podem oferecer um certo alento para o público ávido de “ouvir o século XXI”.  

Mas o ano também pode ser lembrado pelo obscurantismo na música de concerto entre nós. Afinal, em que país do mundo a vida das organizações musicais é pautada e produzida por gente que nunca idealizou ou refletiu sobre políticas públicas para a área? Quem decide o que fazer? O que priorizam? Baseados em quais evidências e propósitos traçam seu destino?  

Como aqui quase tudo é cópia, seguimos fazendo o que os irmãos do Norte faziam há 40 anos, repetindo clichês e fórmulas que ninguém mais segue. Nossos gestores não sabem que inovação e arrojo dominam as programações e a produção quer seja da ópera, das manifestações de câmara ou sinfônica em todos os palcos importantes do mundo.  

Aqui a mesmice das escolhas viceja e acaba por permitir que incautos possam até determinar a escolha das instituições que administrarão nossos equipamentos musicais. Os supostos ‘influencers’ brotam de outras áreas que, secundados por políticos sem nenhuma formação musical, decidem opinar sobre o que a população deve ou não ver e ouvir, como se ela não fosse capaz de discernir por si só.  

Pobre papel têm os próprios profissionais da música que se aliam ao que de pior a sociedade brasileira já viu em matéria de política. O silêncio dos que não compactuam, aliás, tem sido ensurdecedor: ele permite que seus pares falem sem freios e ofereçam ao público espetáculos de pobreza intelectual.  

Enquanto isso, as grandes instituições, protegidas pelo dinheiro e boa dose de soberba, afirmam ser a vanguarda da música de concerto e pautam as demais que almejam ser suas ‘iguais’. E, juntas, não revelam ao público e às autoridades que fazem aqui o que suas congêneres internacionais já não fazem desde o século XX. 

Tomara 2026 nos traga boas novas... 

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Claudia Toni [Divulgação]
Claudia Toni [Divulgação]

 

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