Retrospectiva 2025: Eric Herrero, diretor artístico do Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Encerrar a temporada 2025 do Theatro Municipal do Rio de Janeiro é, para mim, a confirmação de um percurso artístico construído com clareza de propósito, escuta atenta e confiança na força desta casa. Ao longo do ano, desenhamos uma programação que reafirma o Municipal como um grande teatro de ópera, balé e concertos, capaz de honrar sua tradição e, ao mesmo tempo, avançar em novas direções estéticas. A resposta do público foi eloquente: plateias cheias, inúmeros espetáculos com ingressos esgotados e uma presença constante que reafirma o lugar do Theatro Municipal no centro da vida cultural brasileira.
Entre os marcos da temporada, a estreia brasileira do balé Frida ocupa lugar de destaque. A obra ampliou o repertório apresentado em nosso palco ao dialogar com a dança contemporânea a partir de uma narrativa potente e rigorosa, encontrando um público atento e receptivo. Seu sucesso evidenciou a capacidade do Municipal de acolher propostas que expandem o horizonte artístico da casa, sem abdicar da excelência técnica que a define.
Na ópera, o Festival Oficina da Ópera, em sua terceira edição, consolidou-se como um dos eixos estruturantes da temporada. Em 2025, quase trinta artistas concluíram seu processo formativo, muitos deles vivenciando pela primeira vez a experiência completa de criação e apresentação em um teatro lírico de grande porte. Nesse contexto, a estreia fluminense da ópera brasileira O afiador de facas representou um passo decisivo na ampliação do repertório nacional, afirmando o compromisso do Theatro Municipal com a renovação e a diversidade da produção operística.
A temporada também foi marcada pelo retorno de dois grandes títulos ao palco do Theatro Municipal: Os pescadores de pérolas, de Georges Bizet, e Madama Butterfly, de Giacomo Puccini. Obras que reafirmam a tradição operística da casa e que, em 2025, reencontraram um público numeroso e fiel, confirmando a vitalidade desses títulos quando apresentados com rigor artístico e cuidado interpretativo.
Fechamos o ano com resultados expressivos: seis títulos operísticos, quatro produções de balé e concertos, muitos deles com lotação máxima. Destaco, nesse conjunto, os concertos didáticos, que incluíram uma programação especialmente concebida e produzida para as crianças, reafirmando o compromisso do Theatro Municipal com a formação de público e com a continuidade da música de concerto no Brasil.
A temporada fechou com chave de ouro com O quebra-nozes, diante de plateias lotadas. O Theatro Municipal do Rio de Janeiro revela, mais uma vez, sua potência artística, sua capacidade de renovação e sua vocação para seguir desbravando novos caminhos, mantendo-se fiel à excelência e profundamente conectado ao seu público.
Além disso, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, após seu retorno no ano passado à OLA, nesta temporada ganhou força, tendo nossa presidente Clara Paulino na mentoria do programa de capacitação para mulheres gestoras e eu tendo a honra de integrar o Comitê de Ética da Ópera Latino América. [Depoimento de dezembro de 2025.]
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