Flavia Furtado: articulações e mudanças de paradigmas

por Redação CONCERTO 08/01/2026

Retrospectiva 2025: Flavia Furtado, diretora-presidente do Fundo do Festival Amazonas de Ópera – FFAO 

Acompanhamos em 2025 um avanço no setor da ópera, ao menos em articulação. Vimos a consolidação do corredor criativo da Amazônia, criado pelo Amazonas e pelo Pará em 2022, quando começamos a trabalhar em parcerias técnicas, artísticas e em troca de produções. E, neste ano, pudemos realizar um encontro e assinar a internacionalização do corredor, que hoje conta com instituições da Colômbia, do Chile e da Venezuela. Esse é um projeto importante de articulação do setor. Trocas de produções são a ponta do iceberg: o que buscamos é unificar os discursos, trocar ideias, capacitarmos uns aos outros para sermos entendidos como faróis para o desenvolvimento sustentável da Amazônia urbana.  

Na COP-30, desenvolvemos uma agenda de encontros e articulações. Fomos selecionados em dois editais da zona verde da COP. Um deles discutia a temática dos transportes urbanos e o setor abriu a discussão para outras indústrias que nada têm a ver com transportes para escutar do que as cidades do futuro precisam – e o corredor pode falar sobre seu trabalho nesse contexto. O outro foi promovido pela Organização dos Estados Ibero-americanos, e assinamos um convênio com Madri além de estabelecer uma parceria institucional com a OEI, que vai instituir um grupo de trabalho para entendermos como podemos trabalhar para impulsionar o corredor. Estamos ainda no começo, cada um dos integrantes atuando como pode, mas é algo que faz muito sentido e, por isso, começa a chamar a atenção.  

Na COP, o governo da Guiana Francesa demonstrou interesse em fazer do país o próximo membro. A OEA e o BID também estão interessados em firmar parcerias institucionais. Não é fácil. A cada passo para frente nos deparamos com novas dificuldades, como a questão política, mas estamos caminhando e, nesse sentido, 2025 foi muito bom para o corredor.  

No Amazonas, a Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa fez um estudo e mostrou que o impacto do Festival Amazonas de Ópera na economia é de R$ 198 milhões. É para abrir os olhos. E a COP nos mostrou também como é importante aos projetos culturais se entenderem como agentes de mudança social com impacto ambiental, o que nos habilita a trabalhar com verbas de outras fontes além de educação e cultura. É uma visão estratégica para todo o ecossistema amazônico, incluindo a zona urbana e a população periférica. Em todos esses sentidos, foi um ano-chave para a mudança de paradigmas. 

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Flavia Furtado [Divulgação]
Flavia Furtado [Divulgação]

 

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