Julianna Santos: como espelhos, refletimos e nos vemos refletidos em cada encontro

por Redação CONCERTO 22/01/2026

Retrospectiva 2025: Julianna Santos, diretora cênica 

2025 foi um ano de continuidade de projetos importantes e é muito bom poder fazer parte de alguns deles. A retomada do Festival Amazonas de Ópera festejou sua 26ª edição, consolidando sua relevância para a difusão da ópera e importante movimentação na economia criativa. Ao lado do maestro Marcelo de Jesus, tive a felicidade de encenar a ópera As bodas de Fígaro. Ainda sobre continuidade, pelo segundo ano consecutivo, o Theatro São Pedro promoveu a itinerância da ópera Cinderela, colocando a obra em contato com novos públicos. Dessa vez estivemos nas cidades de São Caetano do Sul, Ubatuba e Caraguatatuba. Esse projeto de itinerância e circulação das óperas soma-se a tantas outras iniciativas que provam que a ópera pode estar em todos os lugares.  

O Theatro Municipal do Rio deu continuidade ao trabalho que vem sendo desenvolvido, com uma temporada consistente, plateias lotadas, fiéis e que marcam presença compartilhando memoráveis momentos. Entre as comemorações dos 116 anos do TMRJ, encenei, ao lado do maestro Luiz Fernando Malheiro, a ópera Os pescadores de pérolas, que também homenageou os 150 anos de morte do compositor Georges Bizet.  

Nos meus depoimentos gosto muito de citar a importância dos trabalhos educativos e de formação. Destaco três dos quais pude participar e para cada um deles faço uma pequena observação. O Ateliê de Óperas do teatro São Pedro gera oportunidade para novos compositores e libretistas, sendo o processo de troca entre alunos e profissionais envolvidos muito precioso. A Fábrica de Óperas, projeto implementado na Unesp pelo maestro Abel Rocha, se mostra como um espaço de experimentação e crescimento para todos os participantes, que muitas vezes têm ali a primeira oportunidade de estar num palco. O papel dos orientadores é instrumentalizar esses novos profissionais, para que sejam cada vez mais autônomos em suas criações. Por fim cito minha participação no curso que ministrei na SP Escola de Dança: Jazzy, estudos afro referenciados no teatro musical. Diante de minha trajetória coube a mim falar de encenação de ópera. Cito aqui essa participação com um destaque especial sobre a importância de estar entre pessoas que não são exatamente da ópera e como a partir de nossas trajetórias é sempre possível estabelecer uma relação com os mais diversos setores da nossa sociedade. Somos espelhos, refletimos e nos vemos refletidos em cada encontro, inspirando e sendo inspirados.  

A ópera brasileira e os operários da ópera estão na luta, na criatividade e na resistência mantendo a arte viva e relevante para um público diversificado, e trabalhando para garantir que essa forma de arte continue a ser uma força vibrante na paisagem cultural do Brasil. Me orgulho de fazer parte desse time! Que 2026 traga ainda mais música e arte aos palcos brasileiros. [Depoimento de dezembro de 2025.]

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Julianna Santos [Divulgação/Stig Lavor]
Julianna Santos [Divulgação/Stig Lavor]

 

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