Projeto apresentou versão em concerto da obra de Purcell na noite de sábado, na Sala São Paulo
A Orquestra de Câmara da USP, o maestro William Coelho e elenco e coro formado por alunos da Escola de Ópera da ECA-USP apresentaram, na noite de sábado, na Sala São Paulo, Dido e Enéas, de Purcell, ainda pela temporada do Festival de Inverno de Campos do Jordão.
É o primeiro projeto da escola, criada em dezembro de 2025 como um “núcleo interdisciplinar dedicado ao estudo, à prática e à produção artística de ópera”, com alunos de música, teatro, dança, artes plásticas, publicidade, relações públicas, jornalismo e audiovisual da universidade.
Dido e Enéas nasceu como uma montagem completa – com cenários, figurinos, etc – em junho, na Central Técnica de Produções Artísticas Chico Giacchieri, do Complexo Theatro Municipal de São Paulo. No sábado, o formato, pela configuração da Sala São Paulo, foi o de uma ópera em concerto, com a orquestra ao centro e duas plataformas laterais onde atuavam os cantores.
O foco estava, portanto, na música, e foi com preciso senso de estilo que William Coelho comandou a Ocam em leitura na qual o teatro surgia do caráter próprio dado a cada uma das cenas. E foi particularmente tocante toda a sequência final, a partir de Thy hand, Belinda... When I am Laid on Earth, a famosa ária de Dido, seguida do coro final, interpretado com pathos e delicadeza pela orquestra e pelos cantores do projeto.
A soprano Graziela Oliveira construiu uma leitura para Dido muito atenta às palavras, com especial cuidado nos recitativos, atenta ao estilo, sem sacrificar a expressão, qualidades que estiveram presentes também na Belinda de Thainá Reis. Como Enéas, Vinicius Almeida destacou-se na passagem após a conversa com o Espírito (Jove's commands shall be obey'd).
O elenco completo foi formado ainda por Beatriz Nascer (Segunda Mulher), Iago Velludo (Feiticeiro), Beatriz Ferro Exel (Primeira Bruxa), Angélica Schettini (Segunda Bruxa), Wagner Platero (Marinheiro) e Ester Leal (Espírito)
Agora é aguardar pela continuidade do projeto, que já era fundamental pelo conceito que propõe – e se mostrou igualmente importante pelo resultado artístico apresentado.
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