Um disco com obras para piano, violino e violoncelo de Almeida Prado é o novo lançamento da coleção Música do Brasil, do selo Naxos. A gravação reúne a pianista Sonia Rubinsky, o violinista Emmanuele Baldini e o violoncelista Rafael Cesário na interpretação do Trio de Fontainebleau, do Trio Marítimo, da Balada para cello e piano e da Sonata para violoncelo.
A música de câmara tem grande importância na obra de Almeida Prado, marcando diferentes períodos de sua trajetória. O Trio de Fontainebleau, que ganha sua primeira gravação, remonta ao período de Almeida Prado como aluno de Nadia Boulanger, em Paris; o Trio marítimo, por sua vez, é símbolo do interesse do compositor em outras artes (ele foi também artista plástico) e busca inspiração na poesia de Fernando Pessoa; já a Balada para cello e piano, em sua primeira gravação comercial, é representante da fase madura do compositor, em que a inspiração sempre inventiva se alia a um desejo de comunicação mais ampla com o público.
"O Trio de Fontainebleau (1970) remonta ao início dos estudos do compositor com Nadia Boulanger, que, a cada verão, transferia-se para o Château de Fontainebleau – sede das Écoles d’Art Américaines –, onde dirigiu o famoso curso internacional de verão do Conservatoire Américain por mais de 50 anos. A obra foi composta sob o influxo dessa atmosfera e é dedicada à principal assistente de Boulanger, Annette Dieudonné (1896–1991), ela própria uma musicista notável que exerceu grande influência na renovação do ensino de percepção auditiva e solfejo na França”, escreve o musicólogo Manoel Corrêa do Lago no encarte do álbum.

“O Trio Marítimo foi composto em 1983 e dedicado à memória de Fernando Pessoa. Cada um de seus movimentos ilustra um poema diferente do ciclo Mensagem, de Pessoa, que evoca as expedições e descobertas marítimas portuguesas dos séculos XV e XVI em diálogo com o poema épico Os Lusíadas, de Luís de Camões. O primeiro movimento funciona como um prólogo, apresentando um motivo que reaparece ciclicamente ao longo da obra.”
A Balada para cello e piano, de 1985, foi dedicada ao violoncelista Antonio Lauro Del Claro, “e combina um número de elementos característicos do estilo maduro de Almeida Prado”, como coloca Corrêa do Lago. Segundo o próprio compositor, a peça traz “uma alternância entre melodias transparentes e opacas e entre ritmos simples e complexos”.
De 2003, a Sonata para violoncelo foi encomendada por Sonia Rubinsky e pelo violoncelista Antonio Meneses. O compositor a colocava entre suas maiores realizações como criador e identificava na peça um débito especial a Brahms, tanto no que diz respeito à densidade do tratamento temático quanto à sua organização formal.
[O disco está disponível na Loja CLÁSSICOS; veja mais detalhes aqui.]
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