O piano brasileiro deve muito a Ernesto Nazareth e Francisco Mignone. “Foram dois nomes que definiriam a alma do piano no Brasil. De um lado, o patrono do choro, gênero musical genuinamente brasileiro. Do outro, o mestre erudito que nunca esqueceu sua essência popular e nacional”, diz a apresentação da edição das partituras que marcam o encontro musical entre os dois, ou seja, as versões para dois pianos que Mignone fez de criações de Nazareth, agora publicadas.
Em três volumes editados pela Editora Mignone Songs, sob a coordenação de Anete Rubin, filha de Mignone, o material será lançado neste sábado, dia 5, na Sala do Coro da Sala São Paulo, na programação dos Encontros CLÁSSICOS. Os pianistas Jaci Taffano (responsável pelo trabalho de revisão das partituras) e Dib Franciss vão oferecer uma amostra o repertório; em seguida, haverá sessão de autógrafos na Loja CLÁSSICOS.
“É o registro de um projeto de valor incomensurável. Mais do que simples arranjos, o segundo piano escrito por Mignone para as obras de Nazareth é um diálogo amoroso e técnico. Mas o que levou um dos maiores compositores do século XX a se dedicar a este trabalho? A resposta é tão simples quanto comovente: o prazer de tocar ao lado de sua esposa, a pianista Maria Josephina Mignone. Nas notas destas partituras, o rigor da música de concerto encontra a espontaneidade do tango brasileiro, da polca e do maxixe”, continua a apresentação.
Ao todo, os três volumes trazem 37 partituras, resgatando obras inéditas e celebrando a perenidade de clássicos como Brejeiro e Odeon. “O músico e o pianista encontrarão aqui os caminhos dessa colaboração temporal. Ao criar os segundos pianos para as peças de Nazareth, Mignone não apenas acompanhou o mestre do choro; ele dialogou com sua obra, inserindo baixos inovadores, bordões e acordes que expandem o universo sonoro original”, consta na introdução.
As decisões editoriais se deram a partir de um cuidadoso trabalho de revisão da pianista Jaci Toffano, preservando as orientações dos manuscritos originais e atenta também a registros fonográficos e diálogos com pesquisadores. “As escolhas respeitam a soberania dos compositores, ao mesmo tempo que conferem aos intérpretes a liberdade artística na dosagem expressiva entre os pianos.”
[Os três volumes estão disponíveis na Loja CLÁSSICOS; clique aqui.]
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