Coprodução entre o Palácio das Artes e a Ópera de Israel leva ao palco uma nova leitura da obra de Verdi, reunindo equipe criativa brasileira e elenco internacional
Estreou no dia 12 de junho, em Tel Aviv, a produção de Nabucco, de Giuseppe Verdi, criada pelo Fundação Clóvis Salgado/Palácio das Artes de Minas Gerais em coprodução com a Ópera de Israel. Com direção cênica de André Heller-Lopes, a encenação original foi apresentada em 2011 em Belo Horizonte e no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com direção musical de Silvio Viegas. Em 2016 foi montada no Teatro São Carlos de Lisboa e finalmente retornou ao Palácio das Artes em 2024, então sob direção musical de Ligia Amadio. Agora, em Tel Aviv, a produção foi recebida com tanto sucesso que o teatro israelense abriu duas novas récitas além das 12 programadas, todas já com os ingressos esgotados.
Além da direção de Heller-Lopes, a produção conta com cenografia de Renato Theobaldo e figurinos assinados por Marcelo Marques, que divide a criação dos trajes com Maria Butusova. A iluminação é de Nadav Barnea.
Segundo a apresentação oficial da Ópera de Israel, a nova montagem preserva o contexto bíblico da obra de Verdi, centrada na figura de Nabucodonosor, na destruição do Primeiro Templo de Jerusalém e no exílio babilônico. O teatro destaca a atualidade do célebre coro dos escravos hebreus (Va, pensiero), cuja evocação do exílio, da esperança e do anseio pela pátria ganha ressonância especial no contexto contemporâneo israelense.
“Esse Nabuco desde o princípio teve a vontade de falar de comunidade, de diversidade, de como a comunidade é diversa e de como essas histórias não são antigas. E, acima de tudo, de como a guerra, seja qualquer lado dela, é a negação da humanidade, do que temos de mais fantástico, que é o humano”, afirma o diretor André Heller-Lopes. “Ele não é um Nabucco que toma uma posição, mas ao mesmo tempo ele não ignora quem são os protagonistas, qual é a história, qual é o povo. Nabucco é, claro, extremamente judaico, mas no que é melhor do pensamento judaico, no que ele contribui para o mundo.”
A direção musical da montagem israelense está a cargo do maestro Carlo Montanaro, à frente da Orquestra Sinfônica de Israel de Rishon LeZion e do Coro da Ópera de Israel. O elenco reúne artistas de diferentes países, entre eles os barítonos Ionut Pascu e Mikolaj Zalasinski no papel-título, os baixos Vazgen Gazaryan e Goderdzi Janelidze como Zaccaria, o tenor Pavel Petrov como Ismaele e as sopranos Elena Mikhailenko e Julija Vasiljeva como Abigaille.
A temporada segue até o dia 27 de junho no Teatro da Ópera de Tel Aviv. A instituição israelense apresenta a produção como um dos destaques de sua programação de 2026 e ressalta a parceria com o Palácio das Artes de Minas Gerais como parte fundamental da realização do espetáculo.
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