A soprano romano Ileana Cotrubas, uma das grandes cantoras da segunda metade do século XX, conhecida por papeis como Violeta, em La traviata, Gilda, em Rigoletto, e Mimi, em La bohème, morreu na quinta-feira, aos 87 anos, em sua casa em Viena.
Nascida em junho de 1939, em uma família de cantores amadores, ela estudou em Bucareste, onde fez sua estreia em 1964, cantando Yniold, em Pelléas et Mélisande, de Debussy. Dois anos mais tarde, ganhou o Concurso Internacional de Música ARD em Munique.
No final dos anos 1960, após estrear no Covent Garden, de Londres, integrou por três anos o elenco da Ópera de Viena, cantando Susanna, em As bodas de Fígaro, e Zerlina, em Don Giovanni, além de Mimi e Violeta.
A consagração, porém, viria em 1975, quando substituiu Mirella Freni no papel de Mimi. Pouco depois, iniciou colaboração com o Metropolitan Opera House de Nova York. E fez gravações marcantes. A principal delas talvez seja a Traviata com Placido Domingo, Sherril Milnes e o maestro Carlos Kleiber. “O meu maestro favorito é Carlos Kleiber, mas nem adianta me perguntar, porque eu não vou dizer a razão. Ele é o melhor. É a música”, disse ela em 1994, ao jornal Folha de S. Paulo.
Sua discografia inclui ainda registros de Carmen (como Micaela, com Claudio Abbado), Bodas de Fígaro (Susanna, com Herbert von Karajan), Rigoletto (Gilda, com Carlo Maria Giulini), Sinfonia nº 2 de Mahler (com Zubin Mehta), Louise (com Georges Prête), Gianni Schicci (Lauretta, com Lorin Maazel) ou O elixir do amor (Adina, com John Pritchard). Há ainda um Rinaldo, de Händel, com Jean-Claude Malgoire.
Cotrubas ficou conhecida também pelo temperamento. Em Nova York, levou o Metropolitan a trocar, em mais de uma ocasião, diretores das produções para as quais foi convidada, afirmando não concordar com suas concepções. Com maestros, o relacionamento também podia ser tenso.
“Não somos fantoches nem marionetes”, ela disse em entrevista ao The New York Times em 1977, explicando por que encerrara sua participação em uma nova montagem de Eugene Onegin, de Tchaikovsky, em Viena, alguns anos antes. “E tenho minhas próprias ideias e gosto de conversar com o diretor cênico e definir o que é melhor para ele e o que é melhor para mim.”
Fora dos palcos de óperas desde os anos 1990, ela se dedicou a dar aulas – sua aluna mais célebre é a soprano romena Angela Geroghiu. Ela esteve no Brasil em algumas ocasiões. A última delas foi em 1994, para dar masterclasses no Festival de Inverno de Campos do Jordão e um recital no Theatro Municipal de São Paulo e para, como explicou à Folha de S. Paulo, consultar “um mago no subúrbio do Rio”. “Uma pessoa maravilhosa, um velho que lê o futuro. Sou supersticiosa. Gosto de tarô e adivinhações. Todo artista tem segredos e mistérios.”
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