Arthur Nestrovski lança coletânea de ensaios

por Redação CONCERTO 02/08/2019

Há dez anos Arthur Nestrovski está à frente da direção artística da Fundação Osesp, à qual imprimiu novos olhares. Mas seu caminho é múltiplo: ensaísta, professor, crítico musical, violonista, ele articulou uma carreira que, como diz a apresentação de seu novo livro, é “forjada entre a teoria e a prática, a reflexão e a execução, a música e a literatura”. 

As duas artes estão ligadas desde o começo de sua trajetória acadêmica. No início dos anos 1980, ele concluiu seu bacharelado na Universidade de York com o texto “Debussy e Poe”, em que colocava lado a lado o compositor francês e o escritor americano. O texto, que já havia sido lançado em livro, mas estava fora de catálogo, abre esta nova coletânea, Tudo tem a ver (Editora Todavia), que traz dez ensaios (seis sobre música e quatro sobre literatura), além de textos curtos publicados na imprensa. O livro terá lançamento no sábado, dia 10 de agosto, a partir das 11h30 na Livraria da Vila da Alameda Lorena, em São Paulo.

“Isoladamente ou no conjunto, explícita ou implicitamente, têm todos em comum a disposição de cruzar as fronteiras entre as disciplinas. Fronteiras que, de resto, não existem, senão pelas conveniências pedagógicas. Deveria ser óbvio que o estudo da poesia não pode ser deixado de lado, por exemplo, quando se vai estudar uma canção; também não se pode deixar de lado a música quando se vai analisar uma letra, para ficar num caso análogo. Na prática, porém, tendem a ser estudadas separadamente, contrariando a natureza do objeto”, escreve Nestrovski. “Não há por que não se nutrir mutuamente das teorias desenvolvidas num e noutro campo – para além desses dois, aliás, e respondendo às necessidades de cada assunto.” 

Arthur Nestrovski [Divulgação / Ding Musa]
Arthur Nestrovski [Divulgação / Ding Musa]

Os ensaios sobre música tratam, além de Debussy e Poe, da obra de Beethoven, da memória em Schumann, do samba Águas de março, das canções de José Miguel Wisnik e do diálogo entre Pierre Verger, Obama e Vinicius de Moraes. Na sequência, vêm textos sobre temas como a questão da influência na arte ou a obra de Coleridge. Entre as críticas selecionadas, comentários que cobrem um repertório que vai de Beethoven à bossa nova, passando por Bob Dylan e escritores como Henry James, Vladimir Nabokov e Ian McEwan, para ficarmos em alguns exemplos. 

O livro, que comemora 35 anos de escritos, termina com um texto feito especialmente para o volume, no qual Nestrovski recupera a própria trajetória, mostrando como dialogam, dentro de si, o professor, o diretor artístico, o editor e o músico. Sem abrir mão do caráter multidisciplinar que é essencial no livro – e na vida de seu autor – é de particular interesse para o amante de música o modo como descreve suas visões a respeito do funcionamento de uma orquestra sinfônica e como relembra episódios à frente da Osesp: a dificuldade em encontrar um organista para tocar na Missa glagolítica de Janácek; o modo como o cancelamento de um maestro acabou iniciando a colaboração da Osesp com Neil Thomson; ou o surgimento da ideia de gravar a integral das sinfonias de Villa-Lobos com o maestro Isaac Karabtchevsky. 

O texto se encerra com uma reflexão. “[...] Chegando ao fim deste livro, em que tudo tem a ver com tudo, inclusive o que mais tem a ver, não há como não entrar nele pessoalmente também. Não deixa de ser irônico, para quem nunca teve problema em defender suas ideias, mas sempre evitou ser personagem dos próprios textos. De qualquer modo, a essa altura, quem era e quem sou ‘eu’ aqui é um ‘outro’. O autor vai embora. Naquilo que escreveu, se reconhece. No que se reconhece, se perde. E agora, mais leve, deixando para vocês o que fez de melhor, pode afinal, quem sabe, chegar a mim”.

O livro Tudo tem a ver, de Arthur Nestrovski, está disponível na Loja CLÁSSICOS

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